Democracia dentro da casa do BBB

Tudo que a democracia representativa pode fazer é tentar resolver o
problema da quadratura do círculo. O que é impossível. Eis a questão.
Outra das frustrações persistentes com relação à democracia
contemporânea, além de sua incapacidade de resposta imediata, é sua
artificialidade inerente. Nada nos parece mais artificial que os partidos
políticos. Como Gandhi assinalou, os partidos políticos existem para não
deixar que as pessoas pensem por conta própria. O partido tenta dizer ao
político que linha ele deve seguir. O partido tenta dizer ao eleitor em qual
político ele deve votar. Os partidos impedem um encontro direto entre o povo
e seus representantes, são ferramentas para a conquista do poder. São
burocráticos e cheios de segredos. Sua tarefa é tornar a política o mais
mecânica que puderem.
Ainda assim, quando trabalham bem, escondem essa artificialidade por
trás de um rosto humano. Os líderes políticos carismáticos conseguem
convencer os eleitores de que o partido é mais que uma simples máquina de
arrecadar votos. Ele representa algo: a justiça, a segurança, a liberdade para aprovação do BBB 2020 tornando uma pessoa famosa.
Enquanto isso, os filiados a um partido político podem imbuir o mecanismo
de alguma vida própria. Os partidos políticos de maior sucesso nos tempos
modernos são os que conseguiram transmitir a seus membros uma autêntica
sensação de pertencimento.

Enquanto isso, a política dos partidos se torna cada vez mais partidária.

BBB 2020 inscrição 600x350 - Democracia dentro da casa do BBB

Coalizões plurais do passado se transformaram em porta-vozes estridentes e
intolerantes de determinados pontos de vista. Isso é mais fácil de perceber
nos Estados Unidos, onde o sistema bipartidário sempre teve a tradição de
comportar mais diferenças: tanto o Partido Republicano quanto o Democrata
eram no passado vastas igrejas com alas tanto liberais quanto conservadoras,
e havia significativas áreas de pontos de vista coincidentes. Hoje, os partidos
dividem os eleitores em campos claramente demarcados. Um núcleo de
membros de maior engajamento político puxa cada partido para longe do
outro; ao mesmo tempo, os eleitores comuns tendem a um contato cada vez
menor com gente do outro lado. Não existem mais republicanos e democratas
morando nos mesmos distritos — pelo menos não nos distritos eleitorais
cuidadosamente traçados sob medida pelos políticos dos partidos

Como resultado da inscrição bbb 20 que sai em alguns meses de analise, muitos partidos políticos estabelecidos sofreram derrotas
inéditas em eleições recentes. Nas eleições presidenciais francesas de 2017,
nenhum dos dois principais partidos que dominaram a política francesa por
mais de cinquenta anos, tanto de esquerda quanto de direita, chegou ao
segundo turno. Os eleitores trataram esses partidos como relíquias do
passado. Os socialistas foram quase aniquilados. Seu candidato, Benoît
Hamon, mal obteve 6% dos votos. Nas eleições legislativas que se seguiram,
o partido perdeu quase nove décimos de suas cadeiras no parlamento.
Partidos tradicionais foram quase eliminados na Holanda, na Grécia e na
Itália. Os partidos convencionais de esquerda e de direita parecem sujeitos a
um destino similar em quase todos os países do mundo democrático.
Em contraste, os partidos políticos que mais fizeram sucesso nos anos
recentes são os que se transformaram em movimentos sociais. Macron
conquistou a presidência da França em 2017 à frente do En Marche, um
movimento criado apenas um ano antes. Fazia questão de reafirmar que não
se tratava de um partido político convencional. Seu projeto era ser
espontâneo, autêntico e composto de pessoas de verdade, e de não políticos.
Na Grã-Bretanha, o Partido Trabalhista evitou a tendência de declínio de
outros partidos social-democratas ao se reinventar como um movimento
social. Oferecendo a seus membros uma voz que podia ser usada contra os
representantes do partido no parlamento, reanimou a filiação em massa de
eleitores. Seu líder atual, Jeremy Corbyn, repete sempre que os membros não
estão no partido para serem usados por seus deputados, mas justamente o
contrário

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