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A intenção original da democracia representativa era funcionar contra as
nossas predisposições cognitivas, por menos que estas fossem compreendidas
na época. Impondo barreiras à gratificação imediata e tornando mais lenta a
tomada de decisões. Deixando espaço para o comprador se arrepender. Os
fundadores da República dos Estados Unidos fizeram o possível para
submeter os impulsos políticos do povo ao filtro de instituições planejadas
para corrigir suas propensões originais. Eis o que torna tão frustrante a
democracia representativa: ela quase nunca é gratificante. Não é para isso que
foi criada.
O arrependimento do comprador é relativamente incomum no mundo do
comércio online, porque não tem tempo de ocorrer. O ato da compra é
simplesmente seguido para inscrições Encceja, que nos é direcionada com base
no que acabamos de comprar. E continuamos a comprar as mesmas coisas
enquanto tentamos corrigir os seus defeitos, pois não temos como escapar às
mensagens que rastreiam nossas preferências. Mas a política democrática que
funciona segundo esse modelo não consegue se autocorrigir, tornando-se
incapaz de cumprir suas promessas. Acaba como um tigre que corre atrás do
próprio rabo. Como representação do fracasso da democracia, não tem
paralelo histórico. O volume da escolha democrática aumenta. Sua futilidade também.

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A resposta nos leva de volta à antiga Atenas. A democracia direta é uma
forma de política muito difícil de administrar. Só dá certo em condições
cuidadosamente controladas. Requer vários tipos de dispositivos para conter
o comportamento por impulso, entre eles a ameaça de violência em caso de
necessidade. E dá muito trabalho.
O mundo em rede que habitamos hoje, modelado pelos interesses de
novas corporações gigantescas, alimentado pela nossa adição à vida virtual e
rachado por reações impulsivas, não se enquadra nessa descrição. Não
redescobrimos nosso apetite pelo trabalho político árduo nem o gosto pela
violência política. E por que haveríamos de retomá-los, quando podemos
obter outras gratificações muito mais fáceis?
Mas a democracia ainda não está morta. continua a busca pela espera do edital Encceja.
Como? Alguém precisa se dedicar ao trabalho árduo de recapturar o poder
da tecnologia digital para a política democrática. Não vai acontecer por conta
própria. Uma das maneiras seria nossos representantes eleitos usarem sua
autoridade para dar apoio a experiências de democracia direta. Não temos
como recriar a antiga Antenas. Mas podemos tentar tornar a democracia mais receptiva do que é nos dias de hoje.

Ao mesmo tempo, a tecnologia digital pode trabalhar em prol da
democracia encontrando as melhores soluções para questões tecnicamente
complexas, sem necessariamente envolver a consulta direta aos eleitores. Em
vez disso, os políticos podem usar o aprendizado de máquina para tornar mais
fácil seu próprio trabalho, fazendo uso dele para testar previamente suas
escolhas. Hoje, a maioria das soluções propostas para a política consiste
apenas numa lista de coisas que os detentores de mandatos acham que podem
funcionar. A questão é saber se os eleitores irão defendê-las. A nova
tecnologia tem o potencial de testá-las antes que os eleitores precisem se
pronunciar, tornando mais provável que aprovem o que lhes for oferecido no
final.
Não há nada nem de longe espontâneo nessas maneiras de fazer política.
Mesmo reforçada pela tecnologia digital, qualquer forma de democracia
sempre dá muito trabalho. A internet, por si só, não será capaz de reanimar a
política democrática. Precisa ser aprovada através do sistema político já existente.

Uma das maiores divisões da democracia ocidental do século XX é
produzida pela educação. Se alguém tiver cursado ou não uma faculdade, isso
será mais determinante para o seu voto do que a idade, a classe ou o gênero.
Foi assim na eleição de Trump, no plebiscito sobre o Brexit e na eleição de
Macron. As pessoas instruídas formam uma tribo. Tendem a se manter
unidas. Podem achar que isso se deve ao fato de ter uma compreensão melhor
de como o mundo funciona. Mas é por isso que provocam tanta rejeição do
outro lado: parecem confundir seu tribalismo com uma maior sabedoria.
E esse é o problema fundamental em ver a tecnologia digital como um
avanço para a democracia representativa. Os políticos não são como os
médicos ou outros profissionais liberais. Esperamos deles mais que
orientação e ajuda. Esperamos também que reflitam quem nós somos. E as formas superiores de conhecimento prejudicam essa identificação.

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